Autor: Pedro Quintão
Não achei o filme assim tão mau, sinceramente. Se fosse um gelado, era um de baunilha, ou seja, nada de especial, mas também nada de péssimo. Por outras palavras, é o típico terror da Netflix: morno, sem grande riscos, que cumpre os requisitos mínimos para entreter.
A estética dos anos 80 até está boa, gostei dos looks, dos penteados e das músicas. Mas o filme parece tão concentrado em enfiar referências visuais e hits da década, que se esquece de construir suspense verdadeiro ou dar alguma profundidade às personagens. Ninguém ali me ficou na memória. É tudo meio descartável e existem arcos narrativos secundários que poderiam ter sido explorados de melhor forma.
O argumento é limitado e poderia ser resumido da seguinte forma: Personagens vão ao baile. Há drama. DJ mete um clássico dos 80s. Alguém morre. Há mais drama. O DJ põe outra música. Há outra morte e tudo se repete. Para ser honesto, não me surpreendia nada se alguém na Netflix tivesse pegado no livro original e escrito no ChatGPT:
"Olá! Adapta esta narrativa para um filme de 90 minutos, versão soft-horror com vibe Stranger Things e um toque de nostalgia pop."
Faltou intriga. Faltou a típica tensão que nos faz agarrar ao ecrã. Faltaram perseguições de cortar a respiração e, acima de tudo, faltou personalidade artística. Há algum gore, mas as mortes são banais e pouco criativas. E num filme com este tom mais adolescente e exagerado, o humor negro podia ter brilhado, mas nem isso arriscaram. É pena, porque este era o tipo de slasher que pedia mesmo por elementos sarcásticos.
Não odiei, vi até ao fim sem grandes dores. Mas também não fiquei com vontade de o rever. Se não forem fãs da trilogia original, como eu, provavelmente vão achar este mais do mesmo: um fast food visual com pouco sabor. Mas olhem, há piores formas de passarmos 90 minutos.
Em 25 May 2025