Autor: Filipe Manuel Neto
**Irónico mas muito interessante.**
Neste filme, um crime é cometido pelo indivíduo mais insuspeito: um sossegado barbeiro. Já conhecia o gosto dos Irmãos Cohen pelo humor negro, evidente em "Fargo", que foi o primeiro filme deles que vi.
Neste filme, o tom humorístico e sarcástico ainda está presente, embora algumas vezes seja subtil e mesclado com a crítica social. Ed não era o "homem que não estava lá" porque ele era barbeiro, mas porque a sociedade não lhe dá importância ou nota a sua existência. A profissão acaba sendo um símbolo disso.
A história passa-se na década de 1950, e brinca com as ideias e mentalidade da época, como a crença exagerada em extraterrestres, da mesma forma que faz alusões à estética cinematográfica da época (filmes B, ficção científica, cinema noir). A fotografia ajudou bastante neste ponto, com um elegante preto e branco, de tons equilibrados e contraste agradável.
Quanto aos actores, Billy Bob Thornton merece parabéns porque se desembaraçou deste desafio com louvor. Ed é uma personagem de poucas falas e atitude inexpressiva, e o desempenho do actor, de engraçado a assustador, foi muito bom, exigindo um grande auto-controlo físico e expressivo. Do lado oposto está Michael Badalucco, numa personagem histriónica e faladora, onde o actor foi excelente. Frances McDormand também esteve muito bem, especialmente quando dividiu a cena com Billy Bob, enquanto que James Gandolfini fez o que se esperava dele. Scarlett Johansson brilhou numa personagem que só é inocente na aparência. Finalmente, uma nota de louvor à banda sonora, onde obras clássicas para piano são abundantes.
Em 24 Aug 2018