Autor: Filipe Manuel Neto
**Muito bem feito, com sentido épico, mas ainda senti falta de uma história para contar.**
Este filme é mais um daqueles filmes épicos sobre a Segunda Guerra Mundial que foram feitos uns atrás dos outros durante as décadas de 60 e 70. Todavia, de todos os que vi até agora, foi um dos que mais me agradou. Não sendo um filme brilhante, é capaz de entreter e as lutas aéreas, o foco principal da acção, foram extraordinariamente bem filmadas.
Toda a acção do filme se centra na Batalha de Grã-Bretanha. Para quem não sabe, eu vou explicar um pouco o que foi: logo após a conquista de França e o desastre de Dunquerque (onde os soldados ingleses enviados para apoiar França foram encurralados em grandes apuros numa praia e evacuados), os Alemães decidem invadir as Ilhas Britânicas ou forçar os ingleses a negociar um acordo de paz. Acontece que a Força Aérea Real e a Marinha Britânica eram um entrave sério. Então, os Alemães colocam as ilhas sob um intenso bloqueio aéreo e naval, afundando navios e atacando bases aéreas, portos, fábricas e outras infraestruturas nas áreas onde o podiam fazer (os ataques aéreos eram feitos a partir de França e da Noruega, e tinham um raio de alcance muito limitado, mas que incluía Londres). Como os ingleses não cediam, começaram também a bombardear alvos civis, incluindo Londres. Por fim, as perdas de aviões e pilotos forçaram os alemães a suspender a operação, concedendo a vitória aos ingleses, ainda que com baixas e custos pesados. Isto não é o filme, é história... mas convenhamos, o filme tem pouco mais do que isto no roteiro e deixa-nos a sensação de que acabamos de ver um documentário.
O filme pode dividir-se em cenas e sequências de luta aérea e cenas e sequências normais. A luta aérea é o ponto forte e foi mesmo muito bem feita. O resto foi feito porque tinha de ser, tinham de encher aquela salsicha com qualquer coisa além das lutas. O final deixa-nos com uma sensação de que falta algo, mas isso nem foi um problema tão grande para mim. Pior do que isso foi a tentativa de criar um sub-enredo romântico que, realmente, soa mal e parece fora do lugar. Vítimas disso foram os actores Susannah York, que não tinha como fazer melhor do que fez, e Christopher Plummer, cuja personagem parece respirar misoginia. Michael Caine esteve muito bem, trazia já uma carreira sólida da TV e de alguns filmes e continuou a dar provas de talento. Também gostei do desempenho de Curd Jürgens, Ian McShane, Laurence Olivier e Michael Redgrave.
A parte boa deste filme, e de outros como este, é que dificilmente iremos encontrar melhor, no que diz respeito ao rigor histórico. O filme contou com uma equipa de conselheiros históricos e aeronáuticos extraordinária, que se empenhou ao máximo por não só conseguir os aviões certos como também recriar as tácticas de combate, tanto no ar quanto em terra. Fardamentos, adereços, armas, tudo foi meticulosamente pensado para nos dar uma visão realista do que aconteceu. Novamente, aquela sensação de documentário, mas desta vez pelas melhores razões! Antes de terminar esta resenha, que já está a ficar longa, quero destacar também a beleza e sentido épico da banda sonora. A sério, ficou no meu ouvido e fica linda no filme.
Em 22 Apr 2020