Autor: Filipe Manuel Neto
**No geral, é um filme decente, ainda que não seja muito bom.**
Não há dúvidas de que, se há alguma coisa que marcou o sci-fi dos anos 80, essa coisa foram os jogos árcade e a popularização da informática e do computador pessoal, com as potencialidades que isso permitia na vida de cada um. Todavia, eu tenho algumas dúvidas sobre a qualidade dos filmes que isso originou.
Neste caso, o filme começa por nos apresentar um jovem adolescente viciado numa máquina de jogos que, após vencer os últimos níveis do jogo, é levado num automóvel futurista por um estranho para descobrir que tudo o que a máquina mostrava era real, e era, na verdade, um treino para encontrar e recrutar pilotos espaciais para uma guerra numa galáxia longínqua, ao melhor estilo “Star Wars”. Claro, o filme conta com um namorico repleto de hormonas.
Ao ver o filme, eu fiquei um pouco céptico sobre o roteiro, e a sua verosimilhança, mas após um pouco de leitura, eu vim a descobrir que, actualmente, há imensos sistemas digitais militares, e inclusive armamento, que são feitos de modo a serem mais facilmente controlados por militares que tenham já tido algum contacto com jogos informáticos, e tenham alguma destreza com este tipo de diversões… isto é uma coisa que parece tão inteligente quanto perversa: inteligente pelo pragmatismo, perversa pela forma como põe um jogo inconsequente em pé de igualdade com armas verdadeiras, que destroem e matam pessoas reais. Filosofias aparte, o filme parece-me mais acessível e mais interessante do que outros do mesmo género e da mesma época. O roteiro não é particularmente inteligente, e não é difícil prever o rumo dos acontecimentos, mas faz as coisas de modo razoavelmente eficaz.
O elenco não é o ponto forte do filme. Não temos aqui nenhum grande actor envolvido e todo o filme parece ter sido feito com actores razoavelmente amadores. Lance Guest foi credível no papel do herói, e faz o que precisa, mas sem grande competência e de uma forma relativamente fraca. Robert Preston é um pouco melhor, mas não tem muito para fazer além de ser o Yoda do filme. Catherine Mary Stewart aparece simplesmente porque alguém pensou que o herói tinha de ter uma namoradinha minimamente atraente.
Tecnicamente, o filme aposta bastante na cinematografia, razoavelmente bem feita, e em bons efeitos visuais e sonoros, que cumprem bem o seu papel e parecem realistas, ainda que estejam a uma enorme distância daquilo que podemos fazer actualmente, o que deixa o filme bastante datado, mas ainda assim agradável.
Em 25 Dec 2022