Autor: Pedro Quintão
Facilmente o melhor filme de ação que vi este ano... E provavelmente, também, o melhor desta década.
Nem sequer olhei para o lado, para não perder um segundo deste espetáculo visual. 👏
Fui ver Predator: Badlands com a fasquia bem baixa. A classificação PG-13 (M/12) fazia prever algo brando e sem a violência que caracteriza esta saga, mas acabou por surpreender-me. O filme é um turbilhão de tensão e ação quase ininterrupta e, surpreendentemente, nunca perde fôlego.
A violência está presente em grande quantidade. Há litros de sangue verde, decapitações, braços cortados e afins. Mas como não há vítimas humanas, o filme escapou como PG-13, mesmo assim, há sequências tão gráficas e energéticas que me perguntei mais do que uma vez como é que isto passou sem cortes mais pesados.
A história surpreende ao tentar humanizar o Predator sem nunca o descaracterizar. É sempre um risco quando se tenta dar profundidade emocional a vilões icónicos do terror ou da ficção científica. Muitas vezes, é um erro desastroso e o mito perde força. Aqui não. Continua a ser um caçador brutal. Só que sentimos curiosidade e até uma estranha empatia ao perceber o seu comportamento, começando a apoiar um dos tipos que poderia bem ser um vilão nos filmes anteriores. E isso torna tudo mais interessante.
O conjunto de personagens secundárias também merece destaque. Têm ligações orgânicas com o protagonista e isso cria um pequeno núcleo dramático que nos cativa a atenção, conseguindo dar algum peso emocional quando as coisas descambam.
Tecnicamente, o filme está num patamar altíssimo. Os cenários são brutais. A banda sonora e a edição de som são intenso, remetendo-me para a sonoridade de Dune. A fotografia tem uma composição épica e o guarda-roupa ajuda a criar uma identidade visual própria dentro da saga. Sem sombra de dúvida que merece estar nas categorias técnicas dos Oscars.
Desde Mad Max: Fury Road que não me sentia tão absorvido por um blockbuster de ação. Há estética, energia e, sobretudo, uma visão clara sobre o que este universo ainda tem para oferecer. É refrescante perceber que ainda há espaço para filmes comerciais que arriscam a ser criativos em vez de apenas ruidosos.
Predator: Badlands pode muito bem ser o melhor filme de ação que vi este ano. Faz o que muitos tentam e falham: diverte, surpreende e deixa-nos envolvidos. Se continuar assim, esta saga ainda terá muitas boas histórias para nos contar.
Em 13 Jan 2026