Autor: Pedro Quintão
Hoje em dia o terror comercial anda fraco, e quando envolve animais, costuma ser ainda pior. Portanto, vi Primate apenas à espera de algo minimamente competente que me distraísse durante hora e meia. E o filme é exatamente isso.
Primate agarra-nos pouco depois do início. As personagens não são particularmente desenvolvidas, são até um pouco genéricas, mas funcionam o suficiente para nos manter investidos na sobrevivência delas. Há uma dinâmica interessante no grupo enquanto tentam sobreviver ao macaco, e isso ajuda a criar tensão.
E quanto ao vilão, o chimpanzé é brutal. Mata de formas diferentes, é agressivo, imprevisível, e o filme não tem medo de mostrar gore acima da média daquilo que vemos habitualmente no cinema comercial. O único problema é que muitas dessas mortes são editadas com cortes rápidos demais. Vemos a violência, mas por frações de segundo. São daquelas cenas em que, se piscarmos os olhos, perdemos metade do impacto. Gostava que tivessem deixado os planos respirar um pouco mais... Mas isso talvez levasse o filme a obter a altíssima classificação indicativa NC-17.
A realização de Johannes Roberts é competente. Para mim, ele é aquele tipo de realizador que dificilmente cria um marco no género, mas entrega sempre um trabalho sólido que entretém o público. E às vezes o cinema também é isso: entretenimento rápido e eficaz para desligarmos o cérebro. Ainda assim, senti que Primate podia ter sido mais ousado, mais marcante, talvez um pequeno “game changer” dentro do subgénero do terror animal. Falta-lhe aquele elemento diferenciador que o faria sair da prateleira dos “filmes bons mas esquecíveis”.
O elenco é outro ponto onde o filme podia ter ido mais longe. Não é uma questão de más interpretações, mas muitas das atrizes parecem clones umas das outras. Houve momentos em que tive dificuldade em distinguir quem era quem. Um casting mais variado, ou até uma caraterização visual mais diferenciadora, teria ajudado a dar identidade a cada personagem.
No fim, Primata é um thriller de terror que cumpre o seu objetivo. Não traz grandes metáforas, não tenta reinventar o género, mas entrega tensão, sangue e momentos de tirar o fôlego durante noventa minutos. Não é um clássico, mas também não é descartável.
Em 16 Feb 2026