Autor: Filipe Manuel Neto
**Um filme que cumpre o que promete, mas não faz nada surpreendente.**
Este filme espanhol aborda a temática dos paradoxos temporais. Não é algo novo no cinema, basta pensar no filme "Triângulo" para termos um bom ponto de comparação... mas é sem dúvida um tema bom para explorar e o cinema espanhol está, sem dúvida, num momento de excelente forma.
O enredo é simples: quando um homem comum é perseguido por um assassino mascarado, acaba refugiado numa estranha construção que é, na verdade, um laboratório moderno, onde existe uma máquina do tempo. Recuando algumas horas até ao passado, ele passa a ter de evitar cruzar-se consigo mesmo, a fim de evitar paradoxos e corrigir o passado sem alterar dramaticamente o futuro. Convenhamos... é um enredo previsível e que não surpreende, mas entretém o público e funciona bem.
Como sou português, não tive qualquer problema com a versão original do filme, falada em castelhano. O director fez um trabalho competente, mas não brilhante. Karra Elejalde é um ilustre desconhecido para mim, mas penso que fez um bom trabalho, em especial se considerarmos a necessidade de evolução e mutação da personagem dele: ele se desdobra, e fica cada vez mais tenso e mais duro com o desenrolar do filme. Nacho Vigalondo, que deu vida ao jovem cientista, é claramente um actor menor numa personagem secundária. Tecnicamente, o filme é regular. Como é um filme de baixo orçamento, não podemos estar à espera de milagres. A câmara fez um bom trabalho, o filme está bem filmado. Possui muito pouca banda sonora e os cenários cumprem bem o que se espera deles.
Em 18 Jun 2019