Autor: Rosana Botafogo
**English**
Distressing, but so confusing and tangled that nothing seems real, so caricatured, so contrary to what she fought so hard until the end of her life to change, her reputation as a "dumb blonde", shameful, sad and boring. The only thing that is reliable was the fact that EVERYONE approached him to take advantage of her body, fame, naivety or both. A confusing film, a collection of disconnected scenes, exactly to show what was going on inside Norma Jeane's mind, just a fictional chronicle of Marilyn's inner life.
**Portuguese**
Angustiante, mas tão confuso e embolado que nada parece ser real, tão caricato, tão avesso ao que ela tanto lutou até o fim da vida para mudar, a fama de ''loira burra'', vergonho, triste e entediante. A única coisa fidedigna foi o fato de TODOS terem se aproximado dele para usufruir do seu corpo, fama, ingenuidade ou ambos. Um filme confuso, numa junção de cenas desconexas, exatamente para demonstrar como estava a mente de Norma Jeane, apenas uma crônica ficcional da vida interior de Marilyn.
Em 07 Aug 2024
Autor: victor damião
Assisti a "Blonde" como quem entra em um pesadelo bonito, doloroso e sufocante, e saí com a sensação de ter visto menos uma cinebiografia e mais uma experiência de desintegração humana: para mim, o filme acerta quando transforma a trajetória de Norma Jeane em uma denúncia brutal da forma como fama, desejo público, poder masculino e indústria podem devorar uma pessoa real até restar apenas a imagem fabricada da "loira", essa "blonde" que o mundo quer consumir, tocar, julgar e possuir; ao longo da narrativa, senti que tudo: a infância marcada por abandono, a busca incessante pelo pai, os relacionamentos fracassados, a maternidade interrompida, os abusos, os remédios, a solidão e o colapso final, converge para a mesma tragédia: Marilyn cresce enquanto Norma Jeane desaparece, e isso dá ao filme uma força simbólica e emocional muito grande, sobretudo no final, quando a revelação sobre as cartas destrói a última fantasia que sustentava sua alma e a morte surge quase como o único lugar onde ela poderia finalmente encontrar algum acolhimento; ainda assim, embora eu reconheça a potência estética, psicológica e temática da obra, também sinto que Blonde é um filme difícil de amar, porque sua crítica à exploração feminina por vezes parece se confundir com a própria exploração que denuncia, tornando a experiência pesada, incômoda e até cruel, mas talvez seja justamente isso que o torne tão marcante: não é um filme para admirar Marilyn Monroe, e sim para lamentar profundamente o que fizeram com Norma Jeane.
É um filme decente, por isso uma nota: 6/10.
Disponível na Netflix.
Em 18 Mar 2026