Autor: alandvgarcia
**Filme muito bom!**
Em 22 Jan 2018
Autor: LipeRage
Com uma direção que tenta tirar algo a mais das suas cenas de susto, _It: A Coisa_ se constrói em uma narrativa pouco efetiva na forma como elabora seu terror e rege o seu grupo de personagens. O elenco, é o principal responsável pela sintonia com o filme e pela narrativa soar mais atrativa, eles entregam carisma quando o texto não consegue desenvolver melhor a unidade de personagens. Seu CGI, por vezes soa limitado, com momentos em que o VFX é mal feito e as criaturas que Pennywise encarna são concebidas de maneira grossa e nitidamente sem acabamento. O longa ainda conta com uma fotografia competente e um design de produção funcional, em que conseguem transparecer bem o clima de Derry e a repulsa ao palhaço dançarino. Que é muito bem interpretado, fisicamente falando, por **_Bill Skarsgård._**
O Clube dos Otários até consegue ser simpático, por boa parte do elenco ser carismática e pelo texto conseguir fazer esses personagens funcionar bem juntos, entretanto, não há como negar que a parte do desenvolvimento desses personagens não é tão objetiva assim, são personas empáticas e simpáticas, mas o roteiro não vai além disso, tanto no que diz respeito a parte individual de cada um como também deles como uma unidade. O destaque ao meu ver fica somente por **_Sophia Lillis_** e sua Beverly Marsh, creio que é uma personagem que funciona bem quando o roteiro foca somente nela, sei núcleo me soa mais interessante, mais pesado e mais intimidador do ponto de vista psicológico em que a personagem se encontra. Além claro dela ser uma personagem comovente e meiga, e quando junto do grupo faz transparecer essas características ainda mais. O restante do grupo também tem sua importância, claro, mas não são todos que ganham destaque e tempo de tela suficiente para demostrarem mais substancia pessoal, ficando assim um filme que se limita bastante a Bill Denbrough (**_Jaeden Martell_**) e Ben Hanscom (_**Jeremy Ray Taylor**_), dá para dizer que esses três personagens citados são os protagonistas.
A parte do terror deixa a desejar em dois quesitos importantes, o primeiro é em seu CGI, que nitidamente em várias cenas é possível notar uma falta de polimento tremenda, isso acarreta na perda de peso dramático em vários momentos, pois afeta o senso de urgência e de perigo dos jumpscares, afeta a criação de tensão e de medo sobre a figura do Pennywise, pois o sobrenatural acaba transparecendo de fato não natural; segundo, que a direção de **_Andy Muschietti_** demonstra uma falta de qualidade em integrar melhor as cenas de terror com a fluidez narrativa e o ritmo do longa, nunca parecem ser sustos que desenvolvem ou que levem a trama a algum lugar de fato, chegando um ponto que os momentos de terror soam prolixo. Assim sendo, no clímax, a resolução de tudo me soa desorganizada, nem a direção consegue compor bem o agrupamento dos personagens nesse terceiro ato, e todo imbróglio que ali se cria é pateticamente mal gerido e mal pensado.
Agora falando da técnica do filme, visualmente é um filme bonito e arrojado; sua fotografia usa bem as cores e também é competente na integração com a ambientação, a qual se valoriza pelo belo trabalho do design de produção, em que se acerta na concepção do Pennywise, com um figurino e maquiagem harmônicos, que mistura a ideia do apavorante com algo cotidiano e apaziguador, que é a figura de um palhaço. A composição sonora de **_Benjamin Wallfisch_** me parece bem aquém, não tem uma cena que seja alavancada ou melhorada pelo auxilio de sua trilha sonora, não existe uma cena que seja memorável no sentido sonoro como também não temos uma criação der atmosfera que seja aguda e sensitiva nesse âmbito.
Por fim, Andy Muschietti entrega um filme que é bom por conta da sua unidade de personagens, o Clube dos Otários mais uma vez ganha destaque e se torna o único traço de qualidade dentro desta obra, o trio de personagens que também se torna um tipo de triangulo amoroso é quem comando o carisma e a simpatia do grupo. Pennywise também se mostra intimidador, seu visual é bem concebido, amedrontador e repulsivo, sonoramente, o filme perde impacto e força com uma composição que não eleva suas cenas de terror, bem como elas também não são lá essas coisas, pois além de Muschietti falhar por vezes na execução dessa cenas, o CGI se mostra sem polimento e tira o peso que elas poderiam e deveriam ter. Visualmente, é um filme bonito em partes, quando o VFX não está evidente e deixa tudo com um aspecto feio, a fotografia salta aos olhos com suas cores e uma ambientação funcional.
Em 13 Nov 2025