Autor: Filipe Manuel Neto
**Um filme com falhas e imensa propaganda**
Dirigido por Lee Tamahori e produzido por Barbara Broccoli e Michael G. Wilson, é o vigésimo filme da franquia. Neste filme, James Bond retorna ao activo depois de ser capturado e torturado na Coreia do Norte, onde permaneceu abandonado pelo paÃs que a quem serviu. Ele tentará perseguir os responsáveis ​​pela sua prisão, em particular o traidor que está nas fileiras do MI6. Para isso terá de investigar uma rede de contrabando de diamantes de sangue e um milionário excêntrico, que tem a reputação de nunca dormir.
É a última vez que Pierce Brosnan dá vida a 007, e não sei até que ponto foi uma despedida meritória. Apesar de os filmes deste actor terem sido muito bem sucedidos, a nÃvel comercial e a nÃvel da crÃtica, e de também terem contribuÃdo para re-popularizar e actualizar a franquia, os filmes da "era Brosnan" também tiveram problemas. Um dos maiores é a dificuldade que Brosnan teve para nos surpreender com algo novo na forma como fez a personagem. Ele tentou, tem talento, não o podemos menosprezar. Fez o seu melhor e isso é positivo, mas perde perante a excelente qualidade dos vilões que enfrentou, filme após filme. Ao seu lado temos Halle Berry, que deu vida à nova bondgirl, Jinkx. Durante muito tempo eu próprio desconsiderei esta actriz. Não via nela grande talento. Mas acho que me enganei. Ela é uma actriz consistente, que deixa aqui uma boa homenagem à primeira bondgirl, mas ainda não nos encanta muito pela positiva, brindando-nos com uma performance morna. Pior foi Rosamund Pike, no papel de Miranda Frost. Fria como o nome indica, esta dama inglesa é uma escolha má para uma bondgirl. É bonita mas falta-lhe sex-appeal. O roteiro compensou isso depois, com uma reviravolta muito interessante. Toby Stephens funciona bem como o vilão, Graves, mas a personagem provou ser tão improvável que é-nos difÃcil acreditar nela. Além destes actores, Rick Yune deu vida a Zao e John Cleese assume finalmente o papel de Q.
O roteiro é outro problema: apesar de se concentrar em temas relevantes, como o tráfico de armas e diamantes ou a tensão militar na Coreia do Norte, a maneira como lida com isso é improvável e exagerada. PodÃamos aceitar isso nos primeiros filmes da franquia, mas agora espera-se mais. Por último, mas não menos importante, o filme tem ainda demasiados erros de continuidade evidentes e falhas, além de uma autêntica chuva de publicidade e de merchandising dos patrocinadores, em todas as sequências e quase todas as cenas. Mas afinal James Bond é uma personagem de acção ou uma cara bonita para vender coisas? O tema de abertura, cantado por Madonna, era muito moderno.
Em 19 Feb 2018