Autor: Pedro Quintão
Project Hail Mary não é, de todo, o meu tipo de filme, pois ficção científica é um dos géneros que menos me puxa (só perde para romance e musical) e só fui ver este porque o meu irmão queria muito e porque as críticas estavam bastante positivas, mas posso dizer que acabei por ter uma experiência melhor do que esperava.
A história acompanha Grace, um cientista, interpretado por Ryan Gosling, que acorda numa nave espacial sem perceber como lá chegou. A partir daí, o filme vai alternando entre o presente e flashbacks que nos ajudam a perceber quem ele é e como foi parar àquela missão de tentar salvar o nosso sol.
O início é intrigante pois a curiosidade em torno da missão do protagonista acaba por envolver-nos facilmente. O problema é que o filme recorre demasiado aos flashbacks. Eles são importantes, mas surgem em momentos que quebram o ritmo. Estamos em cenas interessantes no espaço e, de repente, a cena corta para o passado. Senti que isso tirou impacto a vários momentos. Com menos flashbacks e talvez menos meia hora de duração, Project Hail Mary ganharia muito.
O segundo ato é mais lento. Não chega a ser aborrecido, mas também nunca me agarrou totalmente. É aqui que entra o Rocky, uma criatura alienígena, e confesso que a fase inicial dessa interação se arrasta um pouco. Demora até o filme mostrar realmente o que quer entregar com essa relação. Mas quando essa ligação entre o Grace e o Rocky começa a ganhar forma, é aí que a narrativa nos agarra.
Gostei mesmo muito do visual do Rocky. É uma criatura estranha, quase como uma pedra com tentáculos, sem expressões e mesmo assim consegue transmitir emoção. E esse é o mérito do filme, pois a amizade improvável entre duas criaturas completamente diferentes, é o que realmente me prendeu.
Aliás, sinto que o argumento devia ter apostado ainda mais nisso e ido mais longe. Se cortassem parte dos flashbacks e dessem mais espaço a essa conexão, o impacto emocional seria ainda maior.
No fim, Project Hail Mary é uma proposta interessante, com coração, que acerta mais quando se foca nas emoções do que na explicação científica. Mesmo não sendo o meu género, conseguiu entreter-me e até envolver-me em certos momentos. Para quem gosta de ficção científica, acredito mesmo que esta obra seja obrigatória de ser apreciada e até consigo ver o filme a ser nomeado aos Oscars. Para mim, não é algo que vá rever e nem entrará na minha lista de filmes favoritos, mas foram duas horas e meia bem passadas.
Em 07 Apr 2026
Autor: Rafael Martins
Existem experiências que nos pegam totalmente de surpresa. Tecnicamente o filme é impecável e tudo se encaixa da melhor forma possível. A direção de fotografia e a trilha sonora trabalham juntas para criar uma beleza visual absurda, que se torna o grande diferencial do longa junto com a excelente atuação de Ryan Gosling.
Eu esperava uma ficção científica de deslumbramento e recebi uma narrativa forte sobre sacrifício e propósito. O filme me atingiu em lugares inesperados. Ele entrega uma montanha-russa de emoções que despertou desde arrepios genuínos até uma emoção que há algum tempo eu não sentia no cinema.
O longa sugere que a crença em si mesmo tem seus limites e que a verdadeira evolução ocorre através da colaboração. Encontrar um aliado que compartilha do mesmo propósito, mesmo vindo de mundos diferentes, é o que torna o impossível realizável. A dinâmica entre Grace e Rocky funciona como o motor emocional da história e estabelece um novo padrão para o conceito de amizade no cinema.
A humanidade é capaz de ultrapassar qualquer limite se houver cooperação. As escolhas feitas por Grace e Rocky demonstram exatamente isso. Superar a barreira das diferenças é o real caminho para a prosperidade universal. É uma pena que a nossa própria realidade ainda pareça estar há milênios de distância dessa evolução.
Em 16 Apr 2026