Autor: Filipe Manuel Neto
**Muita acção, muito CGI de alta qualidade, mas uma história terrivelmente mal feita e um péssimo director.**
Este foi o segundo filme da franquia Underworld mas eu vi-o em terceiro lugar, após *Underworld* e a prequela *Underworld 3*. Neste filme, acompanhamos a continuação dos acontecimentos do primeiro filme: Selene e Michael fogem dos vampiros e dos Lycan que os perseguem, enquanto o vampiro mais antigo ainda vivo, Marcus, acorda para os perseguir.
É um filme para adolescentes típico, carregado de acção e violência. A direcção é assegurada por Len Wiseman, que continua a mostrar fraquezas como a maneira exagerada como ele se preocupa com a aparência e o estilo do filme, transformando-o quase num videojogo que parece incrível mas, quando pensamos acerca do que estamos a ver, é absurdo e impossível. Também é bastante óbvia a forma displicente com que Wiseman trata o roteiro, que é tão fraco que toda a história soa inverosímil, foi pensada para dar base às cenas de acção e não o contrário, isto é, considerando as cenas de acção como um complemento a uma história bem estruturada. Em consequência, o filme vai perdendo impacto e interesse à medida que os minutos passam e que tudo se torna simplesmente exagerado e excessivo.
O elenco é liderado, novamente, pela sexy Kate Beckinsale, que é boa na tarefa de parecer fria e durona mas exagera na sua performance e não tem química com o seu par romântico, Scott Speedman, que é basicamente uma figura decorativa que tem de aparecer mas não faz nada. Derek Jacobi é muito digno num filme indigno dele, Steven Mackintosh é desinteressante e Tony Curran existe apenas para parecer violento e mau permanentemente. O restante elenco não importa.
Tecnicamente, é um filme que aposta quase tudo nas cenas de acção cheias de estilo e muito incríveis para serem realistas. Quase nunca sentimos o perigo ou o risco que as personagens têm de enfrentar por culpa desse permanente exagero. Os efeitos especiais e o CGI são do melhor que há, e devem ter custado uma fatia considerável do orçamento do filme. Quase todos os monstros e lobisomens foram bem executados e concebidos. Todavia, a filmagem é banal, a cinematografia permanentemente sombria e azul é cansativa e a banda sonora é, na sua essência, a mesma que foi usada nos outros filmes até agora, sem novidades.
Em 15 Jul 2020