Autor: Pedro Quintão
Numa audaciosa tentativa de insuflar ar fresco no saturado género de espionagem, este filme esforça-se por inovar, embora nem sempre com sucesso. O seu mérito reside em procurar uma abordagem diferente num mar de produções que frequentemente se tornam clones umas das outras.
Apesar de uma narrativa que leva o seu tempo a cativar e momentos em que o sono parece inevitável, o segundo ato proporciona uma reviravolta imprevisível que finalmente agarra a atenção do espetador.
Alguns momentos destacam-se pela intensidade e pela excelente edição, como a cena no comboio e a situação em que os protagonistas estão confinados num apartamento. No entanto, as promessas de quebrar padrões nunca se concretizam totalmente, e o filme acaba por ser apenas um entretenimento de duas horas, carente da irreverência necessária para se destacar verdadeiramente.
Infelizmente, a confusão desnecessária parece dominar, transformando o filme num amontoado de ideias que se dispersam em várias direções, mas falham na execução. O talentoso elenco é frequentemente subutilizado em papéis básicos e pouco inspiradores. Algumas escolhas, como a suposta imaginação dos personagens de Henry Cavill e John Cena pela protagonista, não convencem totalmente. E há momentos embaraçosos, como a aparência de Cavill e certas sequências que simplesmente não funcionam.
Numa conclusão agridoce, este filme tenta encontrar o seu lugar num mercado competitivo, mas falha em deixar uma impressão duradoura, mesmo com todos os esforços para inovar e surpreender.
Em 06 Feb 2024