Autor: Pedro Quintão
The Parenting é um daqueles filmes que não se leva a sério nem por um segundo, e ainda bem. Com um tom que me lembrou Scary Movie, aposta numa comédia absurda que, apesar de parva em muitos momentos, consegue cumprir o seu objetivo principal: fazer-nos rir.
Nesta produção sguimos um casal homossexual que decide conhecer as respetivas famílias num fim de semana numa casa alugada. Só que há um pequeno problema: a casa está assombrada. O filme até tenta criar um certo ambiente de terror, mas nunca com a intenção real de assustar. O foco está na comédia, e grande parte da diversão vem da interação entre os protagonistas e o espírito homofóbico que os assombra. Esta ideia, por si só consegue originar momentos hilariantes, especialmente pela forma como as personagens tentam lidar com um fantasma que insiste em atormentá-los simplesmente pela sua existência.
O humor é completamente ridículo, no bom sentido. Há situações absurdas que me apanharam desprevenido e arrancaram boas gargalhadas, mas também há momentos em que o exagero se torna um pouco cansativo. A primeira metade do filme funciona bem porque nos surpreende, brinca com clichés de terror e subverte expectativas com piadas inesperadas. No entanto, a segunda metade perde algum do fôlego inicial. Nesse ponto, The Parenting já jogou quase todas as suas cartas e, sem grandes novas ideias, começa a tornar-se repetitivo. Além disso, o final foi um pouco apressado, como se tivessem decidido terminar a história à pressa sem grande construção narrativa.
Ainda assim, The Parenting tem o seu mérito. Num panorama em que as comédias exageradas e despretensiosas parecem cada vez mais raras, é refrescante ver um filme que simplesmente quer divertir sem grandes pretensões. Não é memorável nem revolucionário, mas cumpre o seu papel e traz aquele tipo de humor que já há algum tempo não víamos no cinema. Se forem fãs deste género, vale a pena dar uma espreitadela.
Em 31 Mar 2025