Autor: Filipe Manuel Neto
**O filme mais marcante do cinema mudo, para mim.**
Este filme é, para mim, o mais marcante da era do cinema mudo, por todas as razões. A sua história é profundamente tocante e fala de uma história de amor entre um vagabundo (o famoso Charlô, como é chamado em Portugal) e uma jovem, em pleno contexto da corrida ao ouro no Alasca.
O filme é inteiramente Chaplin. Ele é o principal actor, ele protagoniza brilhantemente, ele dirige, ele escreve o roteiro, ele é um animal de palco, ele até orquestra a música! Um artista completo, multifacetado, brilhante, que neste filme nos mostra toda a sua força e talento. Mack Swain, Georgia Hale e Tom Murray também me pareceram muito bem, mas nunca chegam a igualar a mestria de Chaplin, o que parece ser uma regra geral de todos os filmes onde ele participou como actor.
Sendo um filme mudo, a música é um elemento dominante ao longo do filme, seja através de canções específicas, seja por via da música incidental ou dos *leitmotiv*. Tudo soa maravilhosamente bem e casa harmoniosamente com o que vemos na tela. O filme aposta inteligentemente na linguagem corporal em combinação com as falas e diálogos escritos. Os cenários e figurinos, bem como o contraste, a luz, tudo foi meticulosamente bem feito e ajuda a tornar este filme uma pérola, cheia de valor histórico e cultural internacional.
Em 15 Mar 2020