Autor: Pedro Quintão
Squid Game 3
Comecei a ver a terceira temporada com bastante entusiasmo. Os dois primeiros episódios deixaram-me agarrado, especialmente aquele jogo inicial, que para mim se tornou num dos melhores jogos de toda a saga Squid Game. Mas infelizmente, foi só fogo de vista. A partir daí, comecei a perceber que esta temporada existe principalmente para dar lucro à Netflix e abrir caminho para futuros spin-offs, versões estrangeiras e mais qualquer coisa que possam espremer deste universo.
Logo no final do segundo episódio, temos um momento que me fez revirar os olhos: a jogadora que estava grávida deu à luz o seu bebé, quando passou a temporada inteira sem barriga. Não é só falta de realismo, é mesmo preguiça narrativa. Depois, a participação do bebé no jogo serviu para acentuar a crítica à ganância do ser humano, mas por outro lado, também prejudicou o desenvolvimento narrativo ao dar origem a uma série de sequências e decisões pouco inteligentes.
Depois há toda a questão do enredo começar a parecer reciclado e formulaico. Já se torna fácil antecipar quase tudo o que vai acontecer. Mas o pior de tudo foi o final. Sinceramente, achei estúpido. Provavelmente o segundo pior final de uma série que já vi, só perde para Game of Thrones.
O protagonista, que até então tinha sido uma personagem inteligente e ponderada, no último jogo toma decisões tão burras que me irritaram. Por exemplo, no jogo final em que, pelo menos, uma das personagens deve morrer e todos os jogadores tomaram as piores decisões possíveis, originando um desfecho trágico, mas absurdo.
Depois há arcos narrativos que não nos levaram a lado nenhum, como o do agente à procura do irmão desaparecido (que por acaso era o vilão da série) e da tal ilha dos jogos que acabou por não ter qualquer impacto, parecendo que escreveram aquilo à pressa só para preencher espaços vazios na série.
E não posso deixar de falar dos VIPs que assistiam no seu camarote aos jogos. As interpretações são péssimas. Sempre que apareciam, quebravam a imersão dos jogos. Comentários amadores, diálogos que parecem retirados de um sketch paródico. Como é que isto passou em pós-produção?
No fim de contas, Squid Game 3 não é um desastre completo, consegue prender-nos até ao final, tem bastante impacto visual devido à direção artística, tem jogos interessantes. Mas percebe-se bem o que está por trás destas novas temporadas, que é o mesmo que aconteceu com La Casa de Papel: lucros e a expansão da marca, mesmo correndo o inevitável risco de saturar uma ideia que, no início, era absolutamente promissora.
Nota Temporada 3: 6/10
Nota Temporada 1: 9/10
Nota Temporada 2: 7.5/10
Em 14 Jul 2025