Autor: Filipe Manuel Neto
**Interessante, marcante para o subgénero a que pertence, credível… mas não achei engraçado.**
Não sou um admirador específico de falsos documentários, mas reconheço-lhes valor se forem engraçados. O filme relata a digressão de uma banda rock britânica chamada Spinal Tap, e mostra as enormes dificuldades e maluquices que eles protagonizam dentro e fora do palco. É suposto ser uma comédia…, mas, para ser sincero, não me fez rir.
Reconheço o valor que este filme teve para o subgénero cinematográfico que lançou, e o interesse que o filme tem para os estudantes de cinema e para outros que aprofundam em maior detalhe o seu conhecimento sobre a sétima arte. Para mim, que sou apenas e só um tipo que vê filmes porque gosta, é diferente: é mais difícil convencerem-me a voltar a ver isto segunda vez por muitos argumentos técnicos que possam usar. Sendo uma comédia, tem de ter piada. Se não tem, fracassou como comédia (mesmo considerando o facto que eu posso não ser o público-alvo, isso seria apenas o sinal que não é um filme para mim).
Apesar de não me ter feito rir, reconheço que Rob Reiner faz um trabalho interessante e consegue dar ao seu filme enorme autenticidade a todos os níveis. Eu pergunto-me qual terá sido o trabalho de campo que ele fez para se preparar para o projecto, se terá falado com jornalistas que seguem o meio musical, com bandas ou artistas de música, porque de facto o filme capta bastante bem as bizarrias que podem suceder numa digressão de rock. E o trabalho dos actores principais (Michael McKean, Harry Shearer, Christopher Guest) é igualmente meritório se considerarmos que boa parte do que dizem é improvisado naquele momento, não foi previamente escrito. O filme parece barato e isso talvez seja mesmo intencional: a cinematografia assemelha-se a um filme “found-footage”, com a imagem tremida, mal calibrada, cheia de grão às vezes. Os cenários são muito bons e a banda sonora, feita para o filme, é absolutamente crível.
Em 05 Mar 2024