Autor: Filipe Manuel Neto
**Um drama de tribunal que funciona bem.**
Este filme é só mais um drama de tribunal, onde um procurador do Ministério Público, um sujeito bastante banal e certinho, é acusado da morte brutal de uma colega com a qual, afinal de contas, ele havia mantido um caso amoroso.
A trama começa de modo frio e demora um pouco a prender a nossa atenção, não há verdadeiramente nada que nos prenda e o filme parece que vai ser uma porcaria. Mas depois que entramos na sala do tribunal as coisas começam mesmo a ficar interessantes. Acompanhamos toda a argumentação dos advogados e o diálogo com o juiz, o ritmo fica mais agradável e rápido e as reviravoltas vão-se sucedendo, colocando em perigo a vida daquele homem que, afinal, só queria que a esposa não tivesse sabido daquela facada no casamento.
Harrison Ford é muito bom quando tem de dar vida a homens comuns mas a quem acontecem coisas. É sobre ele que recai boa parte do ónus do filme, dependendo da sua boa performance. Ao seu lado, temos uma boa e discreta Bonnie Bedelia e uma sensual Greta Scacchi, com quem o actor consegue uma boa química sexual. Raul Julia brilhou como advogado e Paul Winfield também não se sai mal no papel do juiz.
Não sendo um filme muito técnico, assenta maioritariamente na história que conta, e no desempenho excelente dos actores. Pode não ser um dos filmes de tribunal que envelheceu melhor, pois está verdadeiramente esquecido nos dias de hoje, mas merece ser visto e apreciado pelo que é.
Em 02 Feb 2020