Autor: victor damião
Assisti a "Blue Moon: Música e Solidão" como quem observa um homem brilhante se desfazer aos poucos, e o que mais me marcou foi justamente a forma como o filme transforma essa ruÃna interior em repetição, deslocamento e ausência: ele circula por vários espaços, mas sempre retorna ao bar, como se estivesse preso ao mesmo ponto emocional, incapaz de realmente seguir em frente. Para mim, o simbolismo do rato Stuart reforça ainda mais isso, porque aquela rotina aparentemente pequena e banal ganha peso no momento em que falha, refletindo a perda maior que ele custa a admitir: a do amigo, do lugar que ocupava e de um mundo que já mudou sem ele. O filme acerta ao mostrar que ele não está sendo deixado de lado por falta de talento ou relevância, mas porque o tempo avança, as relações se reorganizam e ele envelhece sem conseguir acompanhar essa mudança; por isso, cada fala soa como uma tentativa desesperada de se provar, de reafirmar que ainda importa. Também achei muito forte o modo como ele adia ir à festa, porque esse adiamento parece menos uma demora literal e mais uma recusa em encarar a verdade de que sua época passou e de que sua solidão já não pode ser mascarada por ironia, inteligência ou performance. Ainda assim, embora eu reconheça a força simbólica e a melancolia da proposta, senti que o filme à s vezes se fecha tanto nesse movimento circular e nessa insistência emocional que acaba perdendo impacto, e por isso minha impressão final foi a de uma obra interessante, sensÃvel e amarga, mas que não me atravessou por completo: para mim, é um filme 5 de 10.
DisponÃvel na Claro TV+.
Em 15 Mar 2026