Autor: Pedro Quintão
Lee Cronin’s The Mummy foi um filme que vi com expectativas bastante baixas devido a várias notícias sobre as péssimas reações aos test screenings, por isso fui para a sessão a achar que ia ver algo medíocre ao mesmo nível dos últimos filmes do The Conjuring Universe e de outras produções comerciais de terror sobrenatural... Mas a verdade é que aconteceu o contrário.
O filme conta a história de uma menina que desaparece no Egito e que, 8 anos depois, é encontrada viva dentro de um sarcófago com mais de 3 mil anos. A partir daí, percebemos logo que estamos perante um filme de possessão, mas com uma abordagem diferente do habitual.
O realizador Lee Cronin, o mesmo de Evil Dead Rise, apresenta um toque semelhante a esse filme em alguns momentos mais intensos, mas o que mais gostei foi mesmo a forma como este filme pega na ideia clássica de possessão e a leva para a mitologia egípcia, pois estamos habituados a ver este tipo de histórias sempre ligadas à religião católica, com exorcismos e padres. Aqui é diferente, pois observamos tudo através da mitologia egípcia e isso eleva a experiência para outro nível.
A dinâmica da família protagonista funciona bem, pois são personagens com as quais conseguimos criar uma boa empatia. A Katie, que é a jovem possuída, está espetacular e há momentos em que é mesmo desconfortável olhar para ela. Para mim, já se tornou numa das personagens possuídas mais marcantes dos últimos anos desde a Regan MacNeil em The Exorcist.
O ritmo também é um ponto positivo. As duas horas passam rápido e o filme não se arrasta. E para nos impactar, há algumas cenas mais “pesadas”. Não é uma produção repleta de violência a cada momento, mas quando acontece são sempre situações impactantes: há uma cena com uma unha que é nojenta e outra com fluidos de um cadáver que me fez sentir enjoado. A tal cena do escorpião que gerou polémica nos test screenings é ligeiramente desconfortável, mas sinceramente não achei tão extrema como estavam a assegurar. O CGI nestas cenas está ok, mas com mais efeitos práticos o impacto seria maior e isso poderia tornar o filme ainda mais marcante.
Posso ter gostado, mas Lee Cronins's The Mummy que não é perfeito. O argumento tem algumas falhas, há coisas que não são bem explicadas e ficam ali meio soltas como o facto de nunca sabermos o motivo do sarcófago que levava Katie se encontrar a ser transportado num avião. Além disso, o filme podia ter explorado muito mais a parte do Egito. Começa lá a sua ação, mas depois passa grande parte do tempo noutro sítio e perde um bocado a atmosfera egípcia.
Mesmo assim, Lee Cronin’s The Mummy acabou por ser uma boa surpresa. Dentro do terror sobrenatural, que tem andado meio fraco, este destaca-se, tornando-se para mim, um dos filmes de terror sobre possessões mais interessantes que vi nos últimos anos. Não é perfeito, mas é envolvente, tem momentos fortes e consegue fazer algo um pouco diferente.
Em 19 Apr 2026