Autor: Pedro Quintão
Vi Wuthering Heights sem conhecer o livro em que se baseia, portanto entrei completamente livre de comparações. Talvez isso até jogasse a favor do filme, mas saí da sala de cinema com um sabor agridoce, mais para o amargo.
O elenco chama logo a atenção. Margot Robbie como Cathy e Jacob Elordi como Heathcliff são nomes fortes e perfeitos para uma história de romance. Margot Robbie entrega uma performance sólida, consegue dar presença e dinamismo à personagem. Já Jacob Elordi… não, pois tem uma interpretação desinspirada ao ponto de me lembrar a frieza e falta de vida caraterística da Gal Gadot.
O maior problema é a ausência total de química entre os dois. Heathcliff e Cathy passam grande parte do filme a provocarem-se e a alimentarem uma tensão sexual que nunca chega verdadeiramente a incendiar. Em vez de uma experiência intensa e envolvente, senti repetição e cansaço. Dei por mim a olhar várias vezes para o relógio à espera que o filme terminasse, pois aquela história de "amor" não me convenceu. Já vi desconhecidos numa discoteca a trocarem olhares com mais química do que este casal em duas horas de filme.
Não tendo lido a obra original, não sei até que ponto esta dinâmica é fiel ao espírito do livro. Mas num filme romântico é essencial que nos deixemos envolver pela relação, que sintamos aquela necessidade de os ver juntos ou separados. Aqui isso nunca acontece. O desenvolvimento das personagens é superficial, a narrativa arrasta-se e o romance simplesmente nunca ganha vida.
Outra desilusão foi a banda sonora. Charli XCX lançou um álbum inteiro associado ao filme, e mesmo assim mal senti a sua presença. Lembro-me de duas ou três músicas, no máximo. É estranho quando um projeto musical tão forte acaba quase ignorado dentro da própria obra.
Ainda assim, há mérito que o impede de se tornar num mau filme. A nível técnico, o filme é magnífico. A direção de arte, os cenários, o guarda-roupa e a cinematografia são deslumbrantes. Visualmente é um espetáculo e cada plano parece pensado ao detalhe. É aí que o Wuthering Heights brilha verdadeiramente.
No fim, não creio que seja um mau filme. Está tecnicamente num nível elevado e é bonito de se ver. Mas falta-lhe alma e a emoção capaz de transformar uma história de amor trágica em algo memorável.
Em 22 Feb 2026