Autor: Filipe Manuel Neto
**Um novo olhar sobre a Rainha Vitória.**
Este filme conta os eventos que cercam a ascensão ao trono da rainha Vitória da Grã-Bretanha, uma das rainhas mais marcantes e lembradas que o país já teve. Dirigido por Jean-Marc Vallée, tem roteiro de Julian Fellowes, a direção de Sarah Ferguson (ex-duquesa de Iorque) e apresenta Emily Blunt e Rupert Friend nos papéis principais.
Embora o filme não tenha um roteiro muito neutro, tentou mostrar a verdade dos factos históricos, mesmo que não os julgasse de modo imparcial e tivessem imprecisões pelo meio. Quando se faz um filme histórico, não se deve mudar a história retratada. Eu sei que muitas vezes isso é feito para aumentar o efeito dramático, mas até isso deve ser feito com bastante cuidado. Gostei muito, por outro lado, dos figurinos e dos cenários, totalmente de acordo com a época. A fotografia não surpreende, faz o que tem a fazer, e a banda sonora usa peças de música clássica bastante boas e na moda durante aquela época.
A maioria dos actores cumpre o que tem de fazer com os devidos méritos. Destaco especialmente Miranda Richardson e Mark Strong, que deram vida aos vilões de uma maneira muito interessante, e Emily Blunt. A actriz fez o papel principal e conquistou o estrelato ao dar-nos uma rainha Vitória sonhadora, jovem e apaixonada, um pouco distinta da figura idosa, permanentemente enlutada e severa que viria a tornar-se mais tarde. Conhecendo a relevância do romance entre Vitória e Albert (tanto para a vida da monarca quanto para a re-popularização da monarquia durante esse período), o filme foca-se muito nessa questão, captando os sentimentos de ambos.
Este filme tenta ser um drama histórico, com toques profundos de romance. Através dos amores e sofrimentos da jovem Vitória, o filme mostra-nos que uma monarquia não é apenas ouro, sexo e escândalos. Apelando para o coração do público, dá-nos uma rainha mais humana e de quem conseguimos gostar.
Em 23 Feb 2018