Autor: Filipe Manuel Neto
**Eficaz, mas longe de ser perfeito, principalmente se olharmos ao redor das personagens principais.**
Não sou fã de comédias românticas, mas mesmo eu apreciei este filme, onde uma jovem finalista de liceu, prestes a ir para Inglaterra a fim de entrar numa universidade cara e de grande prestígio, se envolve com um rapaz sem perspectivas de carreira ou de estudos, e que provavelmente teria pouco em comum com ela. É, no fundo, a boa e velha história da dama e do vagabundo!
O filme, dirigido por Cameron Crowe, tem um ritmo agradavelmente sereno e que não se deixa adormecer, nem exagera nas doses de “mel”. A comédia, por seu turno, também é suficientemente subtil, não é excessiva ou artificial, e não soa forçada. No entanto, isto é praticamente tudo… o filme só tem duas personagens verdadeiramente desenvolvidas e tudo o que existe à volta são figuras artificiais e que existem para montar o cenário do seu mundo. O caso do pai da rapariga é, provavelmente, o mais evidente: ele nunca revela ter uma personalidade clara e a única coisa que sabemos dele é que é um vigarista que ama profundamente a sua filha. Isto é pouco. A irmã e a melhor amiga do rapaz, que também merecem alguma atenção pelas conversas e conselhos que lhe dão, são ainda mais rasas e superficiais, e a mesma preguiça de escrita é palpável na concepção dos subenredos.
Não admira, portanto, que os únicos actores que merecem uma nota francamente positiva sejam os dois protagonistas, John Cusack e Ione Skye. Os outros actores, incluindo Lili Taylor e John Mahoney, não tiveram material capaz para desenvolver devidamente e só podem dizer as suas falar e seguir as indicações que recebem. Skye é convincente no seu papel e faz tudo o que precisa de fazer para dar à sua personagem uma inteligência muito bem vinda, e uma timidez natural a quem descobre os prazeres da adolescência após uma série de anos a obedecer ao pai e a estudar incessantemente. Cusack, por seu turno, é bom exemplo de um adolescente a vivenciar o primeiro amor: quando tudo está bem, ele está nas nuvens e nada mais importa; quando as coisas correm mal, é o fim do mundo e não é possível continuar assim, e nada mais importa. Acho que todos já vivemos algo parecido.
Em 21 Jul 2025