Autor: Filipe Manuel Neto
**Ao copiar o filme de 1990, falha pela pouca originalidade, pela concepção demasiado voltada para a televisão e pela perseguição irritante do politicamente correcto. Em resumo, é digno do nosso esquecimento.**
*Um Polícia no Jardim-Escola* foi uma das comédias que marcou os anos Noventa e também a carreira de Arnold Schwarzenegger. Isto é um facto que, penso eu, é indiscutível… por isso, eu vi com muita suspeição esta sequela. Mesmo assim, resolvi dar-lhe uma oportunidade e ver até onde ela seria boa. Não tenciono voltar a vê-la nunca mais. É simplesmente digna do nosso esquecimento.
Não creio que valha realmente a pena falar do roteiro aqui por o filme ser, essencialmente, uma reconstrução do original, quase com a mesma história, mas sem o carisma e a capacidade de Schwarzenegger, sem o bom trabalho do director Reitman e sem qualquer originalidade. Se isto não fosse suficiente para tornar o filme bastante fraco e pouco merecedor da nossa atenção, a insistência do filme em perseguir padrões politicamente muito correctos torna-o tão chato e irritante quanto um padre quando resolve dar um sermão dominical interminável: uma escola em que a festa religiosa é suprimida em atenção aos agnósticos e onde as crianças comem ‘tofu’ em vez de manteiga de amendoim ou chocolate? Que mundo é este? E que conversa era aquela de “meninos, meninas e intersexo”? A sensação com que eu fico é que o filme tenta ser mais papista que o Papa, veiculando mensagens de politicamente correcto em que ninguém de facto acredita e que soam exageradas quando são postas em prática. Na vida real, não há nenhuma escola assim… que eu conheça. E se existisse, um filho meu não a iria frequentar seguramente.
Dolph Lundgren parece ter tentado trilhar o mesmo caminho que Schwarzenegger, isto é, passar de durão dos filmes de acção a um actor que podemos apreciar em outros papéis diferentes. No entanto, é um actor sem grande carisma, não tem muita piada nem simpatia e não nos dá mais do que um desempenho morno, que copia o trabalho de Schwarzenegger no filme de 1990. Bill Bellamy também não nos traz nada de particularmente interessante, e apesar de ser esbelta e atraente, Darla Taylor não faz muito mais do que ser um interesse amoroso credível para a personagem de Lundgren. Aleks Paunovic dá-nos um vilão cliché que parece ter saído de uma série de TV sobre a máfia russa, e Sarah Strange foi extremamente pouco aproveitada.
A nível técnico, o filme também não é brilhante. Se a cinematografia é bastante competente e nos dá um certo brilho e elegância, o filme parece ter sido inteiramente pensado para o mercado televisivo e não para o grande ecrã. Os efeitos são escassos e parecem baratos, os cenários são razoáveis, mas não vão muito além do mínimo exigível, e a edição e montagem do filme é muito pouco decente, com cortes bastante evidentes nalguns pontos. A banda sonora também não lhe acrescenta valor.
Em 20 Nov 2021