Eu, Tonya

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Lançamento: 07 Dec 2017 | Categoria: Filmes

Eu, Tonya

Nome original: I, Tonya

Idiomas: Inglês

Classificação:

Genero: Drama, Comédia

Site:

Poster: Ver poster

Produção: LuckyChap Entertainment, Clubhouse Pictures

Sinopse

Desde muito pequena exibindo talento para patinação artística no gelo, Tonya Harding cresce se destacando no esporte e aguentando maus-tratos e humilhações por parte da agressiva mãe. Entre altos e baixos na carreira e idas e vindas num relacionamento abusivo com Jeff Gillooly, a atleta acaba envolvida num plano bizarro durante a preparação para os Jogos Olímpicos de Inverno de 1994.

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Reviews

Autor: Filipe Manuel Neto

**Uma comédia que faz chorar, mas que é um filme cheio de qualidades.** Dirigido por Craig Gillespie e escrito por Steven Rogers, o filme apresenta-nos a vida e a carreira desportiva da patinadora norte-americana Tonya Harding. Oriunda de um meio pobre e socialmente problemático, ela nunca foi agradável aos olhos do “mainstream” da modalidade desportiva que praticava, mas ela teria sido só uma rebelde se não acabasse implicada no ataque contra Nancy Kerrigan, uma sua competidora. Em 1994, durante as preparações para as Olimpíadas de Inverno, Kerrigan foi agredida num joelho com grande força. As investigações levaram rapidamente até ao marido de Harding, que acabou por ser irradiada e impedida de competir em provas de patinagem. À primeira vista, o filme parece uma tentativa de desculpar Harding, de nos fazer crer que ela só permitiu que aquilo acontecesse a outra patinadora porque era uma mulher afectada por anos de violência e abuso, às mãos da mãe e do marido. O filme realmente vende bem esta ideia, e os espectadores são convidados a ver Harding como uma mulher abusada que não tinha alternativa senão comportar-se daquela maneira. Pessoalmente, não compro tal explicação. É excessivamente simplista, como se todas as pessoas que sofreram o mesmo se tornassem automaticamente iguais a Harding, dispostas a tudo para vencer, até a meios ilegais. Apesar disso, devo destacar a intensidade e autenticidade da recriação dos abusos físicos e psicológicos sofridos pela patinadora: são os momentos mais pungentes do filme e conseguem ser verdadeiramente angustiantes. A nível técnico, o destaque vai para a boa direcção e cinematografia elaborada. Gostei da abordagem estilo documentário dos depoimentos das personagens. A única coisa que me incomodou no filme, a nível mais técnico, foi a concepção geral como uma comédia. Não me parece um assunto leve o suficiente para induzir ao riso, até porque as cenas de abuso, das quais muitas pessoas provavelmente riram, são autênticas o suficiente para podermos acreditar que ela não só sofreu aqueles abusos como para nos recordar, também, que esta é a realidade dolorosa de muitas (demasiadas) mulheres, crianças e, também, homens. É algo que me tira completamente a vontade de rir. As cenas de patinagem também foram feitas com grande elegância e esmero técnico. Por fim, falta falar dos actores, e nós temos aqui um elenco luxuoso que não dá razões de queixa a ninguém. A estrela é, indubitavelmente, a jovem e bela Margot Robbie. Ela tem-se afirmado, em anos recentes, como uma estrela em ascensão, com um talento notável e grande capacidade de trabalho. E este filme contribuiu bastante para consolidar o trajecto ascensional da actriz australiana: ela rouba as atenções sempre que aparece, consegue dar à personagem toda a força, agressividade e fragilidade que ela lhe exige, e colabora bem como Sebastian Stan, com quem faz par romântico. O actor, por sua vez, brinda-nos aqui com o seu melhor trabalho em vários anos. Allison Janney está irreconhecível no papel da grotesca mãe de Harding e mereceu, com inteira justiça, o Óscar de Melhor Actriz Secundária que arrecadou com este trabalho.

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