Autor: Filipe Manuel Neto
**Puro non-sense.**
Lembro-me de que este filme causou muito ruído quando estreou e toda a gente falava sobre ele. Obviamente, ao deparar-mo-nos com um filme assim é difícil ficar indiferente mas, quer se goste ou não, a verdade tem que ser dita: é um filme engraçado que usa (abusa) da comédia non-sense, e que é muito difícil de digerir.
Apesar de ter a coragem de quebrar centenas de tabus e falar sobre coisas que nunca seriam abordadas num filme de outra forma, fá-lo com uma comédia profundamente dura e ofensiva, ingrata para os que são alvo das piadas. Neste filme, o alvo abatido por Sacha Baron Cohen é o "politicamente correto". A própria personagem, um pseudo-jornalista do Cazaquistão, é brilhante porque torna reais as nossas ideias preconcebidas quando pensamos em alguém daquela região remota do mundo. Infelizmente, é algo muito ofensivo para o Cazaquistão, o que deu ao comediante britânico uma intensa (e compreensível) resposta do próprio país e da crítica, juntamente com críticas ao humor anti-semita (o próprio Cohen é judeu) e aos EUA e ao modo de vida americano. Algo que sempre quis saber é se as pessoas que aparecem no filme estavam cientes de que estavam a ser filmadas para um filme de humor mas, seja como humor non-sense ou crítica social severa, o filme funciona.
O filme é bom para quem gosta de comédia sem sentido e não se importa de ser o alvo das piadas. Para todos os outros públicos, pode parecer indigesto por várias razões. As crianças, em particular, não devem ver este filme. Com uma carga brutal de nudez e linguagem obscena, só um pai absolutamente idiota deixaria um filho ver este filme.
Em 12 Jun 2018