Autor: Filipe Manuel Neto
**Um dos mais notáveis filmes clássicos sobre a II Guerra Mundial.**
Este filme foi feito como uma espécie de homenagem aos cinquenta prisioneiros de guerra Aliados que foram mortos no decurso de uma espectacular fuga de um campo de prisioneiros da Luftwaffe, a Força Aérea do III Reich. Este é um facto histórico e conhecido, e podemos até visitar o campo, que foi preservado. Mas não espere que este filme seja uma reconstituição fiel dos factos, porque não é. O filme usa e abusa das liberdades criativas e boa parte do que vemos no filme foi inventado ou reconstituído. Há personagens que misturam numa só pessoa as características de mais de uma pessoa real, há coisas que nunca aconteceram (a fuga de avião, por exemplo) e o envolvimentos dos prisioneiros norte-americanos na fuga verdadeira não foi tão destacado assim. Mas Hollywood já nos acostumou a filmes que fazem pouco caso da história.
O elenco é luxuoso e conta com uma série de actores distintos. Gostei particularmente do bom trabalho demonstrado por Steve McQueen, Charles Bronson e Richard Attenborough, que dão vida a três dos principais conjurados na grande fuga. McQueen dá vida a um veterano da fuga, incansável nas tentativas, mas que acaba sempre na solitária, planeando a próxima; Bronson também se tornou muito agradável graças ao seu receio de espaços apertados. Além deles, o filme conta com o trabalho excelente de James Garner, Donald Pleasence, Nigel Stock, Angus Lennie, James Coburn e ainda Hannes Messemer, este último actor no papel do comandante do campo alemão. Geralmente, todos tiveram tempo e espaço para mostrar valor, e fizeram-no, aproveitando bem o material que receberam, em particular os excelentes diálogos.
O filme é longo, tem quase três horas, mas vale a pena cada minuto e nunca nos faz sentir que perdemos tempo em detalhes desnecessários. Bem filmado, tem uma boa cinematografia e esmerou-se na construção de cenários e de figurinos realistas e credíveis. Não é o tipo de filme de guerra carregado de tiroteios e cenas de acção, muito embora tenha várias cenas tensas e algumas perseguições empolgantes. Conseguimos realmente sentir o quanto aquele túnel era apertado, e o quanto cada um daqueles homens se arriscou para, pelo menos, causarem a maior perturbação possível atrás das linhas do inimigo. Outro detalhe incontornável deste filme é a sua icónica banda sonora, assinada por Elmer Bernstein. Tudo somado resulta num dos mais notáveis filmes de guerra, que chegou mesmo a inspirar outras obras de cinema, como *A Fuga das Galinhas*, filme de animação em stop-motion onde podemos ver claramente a estrutura do campo de prisioneiros naquele grande galinheiro, e também ouvir a música-tema deste filme enquanto aquelas galinhas tentam desesperadamente fugir dali para fora.
Em 06 Dec 2020