Autor: Filipe Manuel Neto
**É bom, mas não convincente.**
Dirigido por John Glen e produzido por Albert Broccoli, é o décimo quarto filme da franquia. Desta vez, Bond investiga uma fraude no mundo das corridas de cavalos envolvendo Max Zorin, um homem de negócios poderoso que, no entanto, esconde uma terrível conspiração. Trata-se do último filme em que Moore dá vida a Bond, tendo-se retirado logo a seguir. Também é neste filme, e após muitas décadas ao serviço de Sua Majestade, que nos despedimos de Lois Maxwell, a veterana que, para muitos como eu, é e sempre vai ser a grande Miss Moneypenny. Além do elenco central, Tanya Roberts interpreta a bondgirl Stacey Sutton, Patrick Macnee dá vida a Sir Godfrey Tibbett, Grace Jones dá vida a Mayday e Christopher Walken deu alma a Zorin.
Para uma despedida, Moore portou-se à altura. Não se pode exigir mais deste actor, que foi um grande 007 ao longo de anos e anos. Apesar do talento dele continuar indiscutível, ele já tinha ultrapassado a "barreira psicológica" dos 55 anos, e por isso era já velho demais para fazer esta personagem. Parece que ele deveria ter saído alguns anos antes, mas a falta de substituto à altura e a feroz concorrência aos filmes da franquia fizeram Moore adiar a despedida. E apesar de alguns o acharem muito mole, brando e cavalheiresco demais, comparando-o assaz vezes à truculência viril de Sean Connery, eu não lhe aponto nada disso. Connery foi (não está morto, mas reformado) um bom actor e será sempre um marco do universo Bond, mas Moore encarnava melhor o espírito e a mentalidade de um britânico da velha guarda. E sim, isso inclui aquelas piadinhas algo secas que ele costumava fazer, e que fazem parte do mais puro humor britânico, o qual não é para todos os gostos. Firme até ao fim como um leal súbdito da Rainha, Moore aguentou-se neste filme com brio. Antes de abordar o roteiro, quero também deixar uma palavra de apreço ao desempenho de Grace Jones, uma mulher como poucas e que fez, neste filme, grande sucesso.
O roteiro é bom, tem momentos bem pensados e boas ideias, mas peca muito pela falta de credibilidade do conjunto. Por exemplo, é estranho que Bond, um agente secreto, fosse destacado para investigar algo como o dopping nas corridas equestres. Isso é tarefa para a polícia. Claro que ele tinha de "tropeçar" em alguma coisa terrível, mas essa ideia inicial não cai na cabeça de ninguém. Outro problema é o plano que o vilão elabora para conseguir os seus intentos malévolos: é demasiado complexo e intrincado quando, talvez, podia haver modo mais eficiente de atingir os mesmos objectivos sem ter de rebentar com metade da Califórnia. Em qualquer caso, o filme é bom o bastante: entretém o público bem, não decepciona os fãs e tem algumas cenas notáveis, como a sequência do Ponte Golden Gate, não só pelo desempenho dos actores, mas pelo próprio lugar. O tema de abertura, cantado por Duran Duran, também merece ser apreciado.
Em 19 Feb 2018