Autor: Filipe Manuel Neto
**Considerado por muitos o primeiro e maior filme da carreira de Audrey Hepburn.**
O que tem de especial este filme? Realmente, pouca coisa. A história é muito simples: é a fuga, quase adolescente, de uma jovem princesa que, cansada das responsabilidades e da visibilidade inerentes a uma coroa, resolve distrair-se e viver a sua juventude durante algumas horas. O problema é que ela acaba, inadvertidamente, por ir parar a casa de um jornalista norte-americano que estava encarregado de a entrevistar e que quer aproveitar a situação a seu favor. Claro, quem estiver à espera de um namorico interessante entre a jovem princesa e o plebeu vai ser recompensado, até certo ponto. Previsível? Cliché? É claro que sim, mas foi com ilusões destas que o cinema alimentou a magia do universo monárquico, um pouco em proveito próprio.
Se a história contada não é particularmente brilhante e prima pela simplicidade e por um leque de escolhas e soluções óbvias, o que nos resta? Cenários? Figurinos? Efeitos? Som? Cinematografia? Em parte sim. Os cenários são muito bem feitos, e o filme, que é mesmo filmado em Roma, é dos primeiros e melhores cartões postais cinematográficos da cidade. Ainda conheço pessoas que foram a Roma e estiveram onde as personagens do filme estiveram também, como na Fonte de Trevi ou na Boca da Verdade, marcos de turismo que este filme ajudou a popularizar. Sem grandes efeitos, tem um som e banda sonora agradáveis e atmosféricos, e a cinematografia, a preto-e-branco, é muito boa. As cenas das duas personagens centrais a passear de Vespa pelas ruas do centro da cidade são particularmente antológicas. Podemos ainda dizer que o filme foi maravilhosamente bem editado e que a história se move a um ritmo elegante e agradável.
Mas o que seria deste filme sem Audrey Hepburn? Acho que não é possível imaginar a personagem na pele de outra actriz. Ela tinha a nobreza, o porte, a serenidade digna que requer a alguém da realeza, e impregnou a personagem de autenticidade, credibilidade e simpatia. É impossível não ver o filme e não sentir um certo carinho simpático pela sua personagem, que simplesmente quer algumas horas para se distrair das rotinas e deveres institucionais para os quais foi educada. Gregory Peck foi uma escolha certeira para ser o jornalista que a ajuda e cria certa afeição romântica por ela.
Em 16 Jun 2023