Autor: Filipe Manuel Neto
**Um filme sem piada e com um humor digno de uma escola secundária: em resumo, é um filme com Adam Sandler sendo ele mesmo.**
Adam Sandler é um comediante habilidoso, mas que não me desce bem pelas goelas devido ao estilo de humor que gosta de fazer. É um humor excessivamente adolescente e com vieses de escatologia e trocadilhos sexuais que não costumam ser muito engraçados (para mim) e, quando fazem rir, é por vergonha alheia. Infelizmente, o filme que trago aqui não é uma excepção. É engraçado, mas graças aos outros actores e não aos esforços de Sandler que, ainda por cima, arruinou o filme ao meter as mãos no argumento escrito.
O filme é simples de resumir: os filhos do Diabo enganaram o pai e saíram do Inferno a fim de fazer tropelias na Terra, o que acidentalmente congelou a porta por onde as almas entram no reino dos condenados e pode levar à desintegração do Diabo. Isto, dito assim, podia ser uma trama de terror, mas é contado com tentativas de humor que incluem piadas de cariz sexual e alusões a outros pecados mortais (nem todos abordados com a mesma intensidade da luxúria). Para repor a ordem, Nick, filho obediente e retardado de Lúcifer, vem ao mundo para convencer ou obrigar os irmãos a voltar.
O filme explica mal a sua trama e, se considerarmos que a ambição bíblica de Lúcifer não é outra que não o domínio sobre a Terra e a destruição da obra de Deus, torna-se difícil entender por que motivo ele não iria gostar da iniciativa dos seus herdeiros. Teoricamente, era o que o Diabo mais poderia desejar! Também se torna impossível compreender como foi que ele teve um relacionamento com uma anja, mas enfim… a história é rebuscada e não pode ser levada a sério, se pensarmos demais, desmantela-se toda. O material poderia ter dado origem a uma série de momentos cómicos bem construídos se Sandler não tivesse tanta vontade de fazer piadas sobre sexo, e se não tivesse uma mentalidade igual à de um adolescente de catorze anos de idade.
Sandler não merece uma palavra positiva. É o responsável por o filme ser uma nódoa. Os outros actores, no entanto, merecem uma palavra de conforto. Harvey Keitel é um actor que respeito e que já nos deu bons trabalhos anteriormente, mas neste filme não tem como ser bom no que faz. Desconfio que entrou no projecto apenas pelo valor do cheque e não o critico por isso, todos temos de ganhar a vida. Reese Witherspoon também pode ter sido atraída pelos valores pagos, ou por amizade a outro actor, até mesmo a Sandler, com quem ela voltaria a trabalhar em filmes subsequentes. Ela é agradável no papel que lhe foi dado, mas é muito parecida ao que podemos ver em “Legally Blonde”. Tom Lister Jr. e Rhys Ifans, dois actores acostumados a papéis discretos, aproveitaram o filme para se destacarem e tentarem abrir portas profissionalmente.
Em 30 Mar 2025