Autor: Pedro Quintão
Novocaine é uma surpresa no universo dos filmes de ação, algo que, à primeira vista, pode parecer mais um filme de ação genérico com cenas no estilo de John Wick ou Nobody. No entanto, a premissa que oferece um protagonista imune à dor e que usa o seu próprio corpo como uma arma acaba por se assumir como uma lufada interessante ao género. A violência física, aqui é forte e explícita, funcionando como uma metáfora para a sua incapacidade de sentir as consequências das suas ações.
O elenco é sólido, com destaque para o trabalho de Jack Quaid, que consegue ser vulnerável, enquanto ao mesmo tempo se revela uma verdadeira arma.
A narrativa não é revolucionária, mas entrega-nos um excelente plot twist que nos prende ainda mais até à resolução final. No entanto, o filme peca por seguir um arco narrativo secundário algo previsível. O clichê sobre a polícia perseguir o protagonista, pois acusam-no de ser cúmplice dos vilões. É algo batido, cansado e que já vimos em dezenas de outros filmes.
A violência, como mencionei, é um dos maiores trunfos de Novocaine. É uma violência brutal, desconfortável, que não tenta esconder as consequências físicas da luta constante. Isso faz com que o filme se distinga por sua crueza, mas também pode ser um fator de desconforto para quem tiver o estômago mais sensível.
Em resumo, Novocaine é um filme de ação que se destaca pela sua premissa original e pela brutalidade das suas cenas de combate. Apesar de cair num ou noutro cliché previsível, tem momentos de grande intensidade e consegue manter o espectador interessado até ao fim. Não é uma obra-prima, mas certamente oferece uma boa dose de entretenimento para quem aprecia filmes de ação.
Em 16 Apr 2025
Autor: victor damião
Assisti a "Novocaine: À Prova de Dor" com a sensação de que o filme é mais esperto do que sua embalagem de ação violenta faz parecer, porque, para mim, ele usa a condição de Nathan Caine não como mera curiosidade de roteiro, mas como ponto de partida para uma reflexão amarga sobre vulnerabilidade, solidão e amadurecimento. O que mais me chamou atenção foi justamente o contraste entre um homem incapaz de sentir dor física e a maneira brutal como ele é esmagado emocionalmente pela carência, pela esperança e pela traição, o que dá ao longa um subtexto mais melancólico do que heroico. Também gosto do fato de o romance com Sherry não ser tratado de forma simplista: a relação entre os dois nasce contaminada por manipulação e crime, mas o filme não cai nem na absolvição romântica fácil nem no moralismo raso, preferindo um desfecho em que amor, culpa e consequência coexistem de forma desconfortável. Para mim, o maior acerto do filme está aí: ele desmonta a fantasia do "herói invencível" e sugere que viver de verdade não é escapar da dor, mas aceitar que ela — física ou emocional — faz parte de qualquer vínculo humano real. Por isso minha nota é 8/10. Eu recomendo.
Disponível na Netflix.
Em 29 Mar 2026