A tapioca virou produto de academia e café da manhã fit na última década. Isso não é ruim — é bom que mais gente consuma um produto de origem indígena e nordestina. O problema é que essa versão representa menos de 10% do que a culinária nordestina faz com a fécula de mandioca.
O beiju de coco
O beiju é feito com tapioca grossa, não a fécula fina das tapiocas fit. A textura é diferente: mais espessa, levemente quebradiça por fora, úmida por dentro. Com coco ralado fresco e açúcar de rapadura, o beiju é um café da manhã que existe em Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte há séculos.
Cuscuz nordestino
O cuscuz do Nordeste é feito de farinha de milho ou de mandioca, não de semolina. Hidratado a vapor em cuscuzeiro, fica com uma textura granulada que nenhum outro preparo tem. Servido com manteiga de garrafa, leite de coco ou ovo frito — é a refeição mais democrática do Nordeste.
Onde encontrar versões autênticas
As lanchonetes de bairro em Fortaleza, Recife e João Pessoa servem tapioca e beiju das 6h às 11h e fecham quando acaba. São os lugares onde as famílias locais tomam café, não os restaurantes turísticos da orla.
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